terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MONCHO MONSALVE É O NOVO TÉCNICO DA SELEÇÃO MASCULINA

Rio de Janeiro – O espanhol Juan Manuel “Moncho” Monsalve Fernandez é o novo técnico da seleção adulta masculina de basquete, patrocinada pela Eletrobrás. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (dia 18) pelo presidente da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), Gerasime Grego Bozikis. A apresentação do treinador está marcada para o mês de fevereiro.
— O Moncho Monsalve é um técnico qualificado, com conhecimento internacional e apreciador do jogo solidário e do conceito de equipe. Conhece bem o nosso estilo e jogadores. Pertence ao Gabinete Técnico da Federação Espanhola, atual campeã mundial (Japão/2006). O Moncho vem dirigir a equipe do Brasil com o objetivo único de nos classificar para a Olimpíada. Depois, quando chegarmos em Pequim, iremos buscar uma medalha olímpica — comentou Gerasime Grego Bozikis, presidente da CBB.
Moncho Monsalve, de 63 anos, faz parte do Gabinete Técnico da Federação Espanhola. Começou a carreira como jogador na década de 60 e participou de 82 jogos oficiais pela seleção espanhola. Em 1972, iniciou sua trajetória como treinador, no Mataró. De lá pra cá, comandou times como Náutico Teneriffe, Zaragoza, Cajá Málaga e Teneriffe, entre outros. Moncho teve a oportunidade de dirigir o brasileiro Oscar Schimdt, em 1978, no Castilla Valladolid, e, recentemente, Marcelinho Machado, no Cantabria Lobos, ambas equipes da Espanha.
- Moncho é um técnico disciplinador, criterioso, e que tem muito conhecimento do basquete europeu. Trabalhei com ele no Lobos Cantabria, da Espanha, na temporada 2003/2004. É um treinador bastante franco com os jogadores, experiente e torço para que tudo dê certo, que ele nos ajude a conquistar a vaga para Pequim - diise Marcelinho.
ENTREVISTA MONCHO MONSALVE
— Por que aceitou o convite para dirigir a seleção brasileira?
Mais que um objetivo pessoal, é uma oportunidade e um privilégio poder dirigir uma das melhores equipes do mundo. Conheço muito bem os jogadores que participaram da Copa América de Santo Domingo (2005), do Campeonato Mundial do Japão (2006) e do Torneio Pré-Olímpico de Las Vegas (2007), competições que estive presente.
— O Brasil não disputou as últimas duas Olimpíadas. É possível que a classificação aconteça agora?
Sim, apesar do Pré-Olímpico Mundial de Atenas ter equipes importantes. Com respeito, generosidade e confiança, além do talento do time, podemos formar um grupo capaz de garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim.
— As seleções terão praticamente o mesmo tempo de treinamento, três a quatro semanas. O que é possível fazer nesse período?
Certamente três semanas é um período curto, quatro será melhor. Os jogadores da NBA, da Europa do Brasil estarão em boas condições físicas, talvez um pouco cansados mentalmente. Vamos conversar com eles para buscar uma boa solução de descanso e trabalho. Junto com o Departamento Técnico quero ver se conseguimos fazer 35 treinos e quatro ou cinco amistosos.
— O brasileiro tem seu estilo de jogar. A sua idéia é mantê-lo, agregar valores ou modificar?
Não vou mudar os aspectos de jogo tradicionais dos brasileiros, mas é possível melhorar alguns conceitos. Minha idéia é implantar defesa/rebote/contra-ataque e jogo de transição. O rebote ofensivo e equilíbrio defensivo devem ser bem organizados. Como todos sabem, o arremesso de três pontos e a regra de 24 segundos de posse de bola mudaram o jogo.
— Independente do sorteio do Pré-Olímpico Mundial, quais os principais adversários do Brasil em Atenas?
Acredito que Grécia, Croácia, Eslovênia e Alemanha são os adversários mais fortes por sua qualidade e experiência em competições internacionais. Também é possível que alguma outra seleção possa surpreender.
— O senhor já teve algum contato com os jogadores brasileiros?
Ainda não tive nenhum contato pessoal com os atletas, mas tenho um dossiê sobre os jogadores da NBA e os que atuam na Europa. Acompanho as partidas da Liga Espanhola, que conta com Tiago Splitter, Marcelo Huertas, Paulão Prestes, Caio Torres e Rafael Hettsheimer; e da Liga Européia, onde jogam Alex Garcia, J.P. Batista e Guilherme Giovannoni. Ainda não pude ver o Murilo, que está na Bulgária. Assisto aos jogos da NBA para acompanhar o Leandrinho, Anderson e Nenê. Espero que o Nenê se recupere e tenha condições de jogar.
— Qual sua opinião sobre a qualidade dos jogadores brasileiros que estiveram na seleção nos últimos anos?
Pelos últimos torneios que vi, os jogadores têm grande talento e boas condições físicas. Devem melhorar a continuidade do jogo e não perder a concentração. Jogam bem em velocidade. No cinco contra cinco em meia quadra, a equipe deve saber jogar sem a bola. Um conceito de ângulos e espaços hoje é fundamental e devemos melhorar nesse aspecto.
— Todos os atletas que estão atuando no Brasil e no exterior têm as mesmas chances de serem convocados?
Dos jogadores que atuam no Brasil, conheço os que já estiveram na seleção nas últimas competições internacionais. Os que atuam fora do país, além de serem importantes em seus clubes, conhecem bem o jogo europeu e têm muita experiência internacional. De qualquer forma, espero fazer uma lista com 15 jogadores, de onde escolheremos os 12 para formar a melhor equipe possível.
— Fale um pouco sobre sua trajetória no basquete
Como jogador, comecei em 1962, no clube da minha cidade, Atlético de San Sebastián. Fui campeão europeu quatro vezes pelo Real Madri, tricampeão da Liga Espanhola e bicampeão da Copa do Rei. Na seleção, joguei 82 partidas e encerrei minha carreira com 26 anos, devido a uma lesão grave no joelho esquerdo, quando jogava no San José de Barcelona. Como técnico, iniciei minha carreira em 1972, no Mataró de Barcelona. Nesses 35 anos, dirigi equipes na Espanha, Suíça, França, Itália, além das seleções de Marrocos, Suíça e República Dominicana. Atualmente trabalho no Gabinete Técnico da Federação Espanhola (nas seleções de novos e na escola de treinadores). Nos últimos três anos, venho treinando a seleção espanhola “B”, com a qual passei três períodos de seis a oito meses nos Estados Unidos, observando o basquete universitário e da NBA.
MONCHO MONSALVE
Nome completo: Juan Manuel “Moncho” Monsalve Fernandez
Nascimento: 01/01/1945, em San Sebastián (Espanha)
Clubes que dirigiu:
Mataro/Barcelona (ESP), San José Badalona (ESP), Náutico Teneriffe (ESP), Vevey Basket (SUI), Barcelona (ESP), Lebole Mestre (ITA), Caja Ronda/Málaga (ESP), Mônaco (FRA), O.A.R. Ferrol (ESP), Teneriffe (ESP), grupo IFA / Barcelona (ESP), Cai Zaragoza (ESP), Murcia (ESP), Cantabria Lobos (ESP) e o time feminino do Costa Naranja Godella (Valencia/ESP)
Seleções que dirigiu:
República Dominicana, Marrocos (Sub-21), Tunísia, Espanha (seleção “B”) e Suíça.
Outras atividades:
Membro do Gabinete Técnico da Federação Espanhola
Professor do Curso Superior de Técnicos da Federação Espanhola
Professor do Comitê Olímpico Internacional

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